Comitiva paraense une o grafismo ancestral do Marajó à transformação social e ao combate à violência contra a mulher em um dos palcos mais importantes da moda mundial.
A potência da cultura amazônica e a força da transformação social cruzaram o Atlântico para ocupar um dos espaços mais prestigiados da moda global. Realizada de 22 a 28 de setembro de 2026, a edição feminina da Semana de Moda de Milão recebeu uma comitiva paraense que levou a rede de criação autoral do Arquipélago do Marajó para o cenário internacional, unindo a riqueza do grafismo ancestral à luta pelo empoderamento e pelo combate à violência de gênero.
A comitiva contou com a participação da Dra. Jannice Amóras, que na ocasião representou o movimento Manas em Combate, além dos talentosos artesãos e estilistas Ana Cláudia Conceição e Miquéias Caldas. Na passarela e nos bastidores do evento, roupas e calçados carregados de identidade visual marajoara reafirmaram que a moda também é um poderoso instrumento de ressignificação de trajetórias, autonomia econômica e justiça social.
Identidade marajoara e enfrentamento à violência contra a mulher
Para além do impacto estético, a presença paraense no evento italiano carregou uma missão de vida: dar visibilidade à capacidade de reinvenção de mulheres que superaram ciclos de vulnerabilidade e encontram na arte tradicional um novo horizonte de emancipação.
Dra. Jannice Amóras, ao destacar o impacto de representar o movimento Manas em Combate ao lado de mulheres assistidas, relembrou que a moda pode servir como vetor de superação.
”Estar na Semana de Moda de Milão ao lado de mulheres que venceram a violência doméstica é uma conquista simbólica imensa. Tivemos a oportunidade de estar acompanhadas por grandes expoentes do nosso território, como o Miquéias, um artista genial de Cachoeira do Arari. Essa troca cultural nos permite absorver o mundo sem perder a nossa essência. Quando existe um propósito real, o impacto ultrapassa qualquer passarela. Provamos que é possível sair de uma situação de dor, romper o ciclo da violência e levar a dignidade da arte marajoara para além das nossas fronteiras”, destacou.
A estilista e artesã Ana Cláudia Conceição reforçou como a recepção das peças de vestuário na Itália superou as expectativas do grupo e valorizou o trabalho autoral do estado.
”Foi uma vivência emocionante e acolhedora, que superou tudo o que vínhamos planejando. Ver as nossas peças de roupa, produzidas no Marajó e cheias de significado histórico, ocupando um espaço com tanta visibilidade internacional, confirma que a moda paraense tem força para estar em qualquer lugar do planeta”, reforçou.
Já o designer Miquéias Caldas, responsável por traduzir a arte local para o design de calçados, enfatizou o orgulho de levar as raízes do Marajó ao universo criativo global do design.
“Nossa comitiva assumiu o compromisso de representar não apenas um estado, mas a identidade do município de Cachoeira do Arari. Conseguimos entregar um pedaço vivo do Marajó ao público europeu. Aplicar o nosso grafismo e a nossa geometria ancestral aos sapatos de moda foi a nossa forma de dizer que a arte da Amazônia é contemporânea, autêntica e resistente”, ressaltou.
Propósito que transforma
A união entre o design autoral e o movimento social demonstra que o resgate cultural e o fortalecimento da autoestima andam de mãos dadas. Ao valorizar o saber-fazer tradicional e abrir portas para o empreendedorismo social, a moda marajoara se consolida não apenas como tendência estética, mas como uma ferramenta concreta de emancipação feminina e projeção internacional para o Pará.
